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Textos
Inspiração
A inspiração entrou pela janela assim que decidi tomar um ar. Sentei e conversei com ela, perguntei se podia me inspirar.
A tarefa, disse ela, é complicada, me pediu dois bolinhos e um chá. A noite foi, então veio a madrugada; a inspiração e eu a conversar.
Metódica, do chá tomava um gole a cada dois pedaços de bolinho. É preciso primeiro matar a fome, para depois descobrir o seu caminho.
Gesticulava e com os gestos desenhava poemas concretos, poemas-bastão, como aqueles da química escolada; fórmulas, carbonetos, combustão.
Me surpreendeu, também era matemática, se transformou em números na minha frente. Assustado, gritei "Senhora?" de repente, ela virou-se para mim e disse "fática"!
Corri e rabisquei no meu caderno ela leu e olhou com reprovação. Tinha escrito poemas de inverno, ela queria poemas de verão.
Irritado, a coloquei para fora, ela nada tinha a ver com os meus poemas. E hoje quando escrevo tenho problemas por causa de uma inspiração que chora.
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Leonardo Schabbach |
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Publicado em 23/10/2009 às 17h51
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